Sexta, 15 Julho 2016 14:02

Pintinhos

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Lá estava eu, fumando um cigarro embaixo da marquise e pensando como seria minha vida se fosse lésbica, se seria igualmente ninfomaníaca e me submeteria às mais diversas indiadas em busca de outra buceta pra tesourar com a minha. Do céu, deus jogava baldes d’água e brincava de sacudir as árvores e entortar
guarda-chuvas alheios, decerto rindo de todos nós, mortais. Putão. Três noites atrás eu havia passado pela mesma marquise – não chovia tanto embora o tempo estivesse bem frio –, chegado em casa e anotado o nome desse homem na minha agenda. Nesse meio tempo li Bukowski por pressão popular, arrumei as gavetas, assei pão e senti vontade de dar de novo, então senti raiva dessa perereca maldita que nunca se aquieta e me deixa refém; por isso eu estava lá, ensopada, de capuz e mochila feito uma terroristinha com a buceta que fervia e controlava minhas ações.

Quando fumei um cigarro embaixo daquela marquise pela primeira vez, torcia para que o pau dele não fosse pequeno; se fosse, não voltaria mais. Argumentem como quiserem, mas eu não nasci para pinto pequeno. Não interessa se é a melhor das criaturas, se sabe chupar uma buceta por três horas ininterruptas, nada vai me agradar mais que um pau grande que desafie minha própria anatomia.

Conheci as tristezas e decepções de um pau pequeno com um rapaz meigo que estava na mesma festa que eu e me convidou pra ir na sua casa. Com a melhor das intenções eu visitei o moço que, pobrezinho, tinha um pintinho minúsculo feito o de uma criança – mesmo duro não faria mais efeito que um dedo. Por mais que se esforçasse em intensidade, mal conseguia me arrancar cócegas. Me comer por trás era impossível: o pintinho não tinha nem como atravessar toda a minha bunda para alcançar qualquer orifício. Desistindo da ideia de penetração, ofereci minha teta a ele num gesto de pena pelo esforço tal como uma mãe, e ele a chupou, agradecido, batendo seu pintinho com uma mão e me abraçando no meu colo com a outra. Gozou sua porrinha na minha barriga e eu até me senti feliz pelo coitado, beijei sua testa, me limpei e parti pra nunca mais voltar.

Uma vez até apreciei uma noite com um pintinho. Tratava-se de um sushiman desempregado, o infeliz, que era até bem bonitinho, carregava um ar de rebelde sem causa muito incomum entre os sushimans das temakerias que eu frequento. Na sua cama grande ele beijou meu corpo inteiro com imensa delicadeza e me fez uma massagem nas costas maravilhosamente gostosa. Então, revelou sua coisinha-durinha e me comeu com uma raiva avassaladora que, ainda assim, não era o suficiente para me satisfazer plenamente. Era uma raiva que partia do fundo do seu ser e que talvez fosse devida ao seu pinto pequeno. Percebi que era ela que lhe conferia aquele ar de rebeldia: não se tratava de problemas familiares, desempregos ou passar a vida enrolando salmão – a raiva era contra seu próprio corpo. Enfim gozou e ficou mais calmo, voltou a fazer mais carinhos nas minhas costas como recompensa pela minha atenção em satisfazê-lo. Senti saudade da massagem, mas não voltei. Não sou mulher de me contentar com pinto pequeno.

Quando atravessei aquela marquise pela segunda vez, aflita entre as pernas, estava feliz por desafiar minha própria anatomia. Acalmei minha perereca por mais dois dias.

Lido 1255 vezes Última modificação em Sexta, 15 Julho 2016 14:09
Une Petite Putain

Não sou nem louca de escrever em terceira pessoa. Escrevo putaria pra libertar a mim e aos outros também. Eternamente em busca de pequenos prazeres.
Idade: 20
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