Sábado, 13 Agosto 2016 00:07

O Sofá

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Já não nos chamamos mais uns aos outros de amantes, é uma pena. Não no sentido adúltero, embora aconteça, mas no sentido “temos fodido gostoso”. Nessas condições, tive muitos amantes e desejo ter muito mais. Amante parece ser uma palavra já perdida no século XX, mas no meu coração-cabeça-buceta ainda persiste. Amante é quem me comeu variadas vezes, de variadas formas, me fez feliz e deixou, de uma forma ou de outra, saudades.

Tive um homem, um lindo homem, lembrava-me dele esses dias no ônibus. Ouvia Gal e Bethânia cantarem “mistério sempre há de pintar por aí” e senti a superfície da minha pele esquentando ao mesmo tempo que se arrepiava. Quando meus homens chegam ao status de amantes é porque mais que terem me satisfeito, me fizeram transcender da minha própria dimensão e fizeram o orgasmo ser uma palavra esdrúxula demais para nomear o vulcão que se ativa no meu monte de vênus.

Tive saudades de um desses momentos. Que engraçado, poderia ter sido num lugar muito mais interessante, um motel, uma cama de casal, na rua, mas não. Foi num sofá, tão simples que nem lembro a cor dele. Quem sabe fosse o mesmo de Crébillon Fils; se me narrou no entanto não chegou às minhas mãos, portanto, narro eu mesma, sob minha perspectiva elevada e onipresente de mulher.

Pois foi num sofá, e digo mais: já tínhamos até transado, descansado um pouquinho e eu, muito vagamente, dava indícios de que iria partir em breve. Coloquei minha calcinha e minha velha regata preta, gasta de tanto que as alças foram puxadas pelos ombros por homens ávidos pelas minhas sóbrias tetas. A TV estava ligada no Globo News, e eu me sentei no colo do meu amante para ouvir uma matéria sensacionalista sobre o último escândalo de corrupção. Ele pôs-se a alisar minha bunda bem como um carinho, muito calmo e muito gostoso. Aos poucos o pau dele foi se levantando e pressionando a minha coxa, então virei meu rosto ao encontro do seu e ofereci meu beijo e minha língua, deixando o Cunha ou qual canalha fosse falando sozinho. Parece que depois a televisão ficou muda.

Abracei-o com as minhas pernas. Meu amante puxou minha calcinha pro lado e se enfiou em mim. Eu entrelacei meus dedos no pescoço dele e acomodei minha cabeça no seu ombro. Ele abraçou minha cintura e, assim, tão imóveis quanto em movimento, ficamos. Deixei que o movimento dele me levasse como um barquinho de papel no mar, me desmanchando em água. Ficamos à deriva, eu com a cabeça permanentemente pousada no seu ombro, a sentir as palpitações que vinham e se somavam, sem dispersar.

Assim foi-se acumulando o magma para o meu vulcão. Meu amante com seu vai-e-vem contínuo, meticuloso, e eu gemendo baixinho diretamente no seu ouvido como se precisasse ser discreta naquele apartamento vazio.

Então, eu comecei a gozar. A lava quente brotava no colo do meu útero e se espalhava em mim, no pau dele, escorria nas coxas, chegava ao tecido do sofá e nunca, nunca, nunca parava de brotar. Meu corpo, seu corpo se derretiam enquanto o barquinho penava em seguir. Petrifiquei.

Por alguns minutos fomos uma estátua de Pompeia.

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Une Petite Putain

Não sou nem louca de escrever em terceira pessoa. Escrevo putaria pra libertar a mim e aos outros também. Eternamente em busca de pequenos prazeres.
Idade: 20
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