Sábado, 24 Setembro 2016 21:27

Uma Caneca de Vinho

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Confesso, já havia bebido um ou outro vinho, e talvez alguma caneca de hidromel. Ainda que minha língua dormisse entre uma e outra frase minha eu estava bem consciente do que acontecia ao meu redor.

As portas da Taverna eram demasiadamente pesadas para um cara no meu estado. Cansado devido o longo dia de trabalho e um tanto desacreditado no mundo. Um trovador recitava os últimos versos de sua canção enquanto algumas notas de seu alaúde dançavam pelos nossos ouvidos.

O dono da Taverna lavava os últimos copos de uma pequena pilha, um homem cochilava debruçado no balcão com o rosto semicoberto por seus longos cabelos grisalhos, o cheiro de tabaco enchia o ar do local, a noite lá fora era úmida porém clara, o que amenizava a pouco iluminação no interior daquele lugar.

De tudo, o que mais chamava atenção era um mulher sentada sozinha numa mesa à direita do palco. Estava bem trajada, quase como alguém da realeza fazia círculos com os dedos pela borda da caneca vazia que outrora estivera cheia de vinho barato. Era bonita, não do tipo que rouba a cena, mas do tipo que quando era percebida era difícil deixar de olhá-la.

Haviam mais dois ou três homens lutando contra a embriaguez ao som da poesia do Bardo. Pela janela por trás do balcão a lua clara era totalmente visível.

Troquei um ou dois passos a caminho da mesa, mas segui caminhando em direção a moça jovem e solitária sem nem ao menos perceber o que eu fazia.

Sem decoro algum arrastei uma cadeira de uma mesa ao lado e me sentei junto àquela donzela.

Tinha que perguntar seu nome, tinha que prendê-la em uma conversa, tinha que dizer que me apaixonara por ela logo quando adentrei àquele local. Seu perfume me inspirava certa melancolia. O seus olhos profundos me convidavam a nunca mais abandoná-los, erguendo a mão e dando um breve assovio chamei pelo taverneiro. Ele veio logo, porém carrancudo. Pedi que colocasse mais bebida para mim e para minha acompanhante.

Ele por sua vez riu nervosamente, e perdendo toda a paciência disse-me “Quando vai parar de conversar com espíritos bêbado maldito, não há ninguém aqui além de você.”

Incrédulo, olhei para os lados e vi aqueles corpos se desmancharem, e serem soprados pelo vento para um mundo longe do meu.

Ainda tive tempo de tocar as mãos da moça, e dizer-lhe "logo ficaremos juntos". Sem mais delongas ela com um leve sorriso no rosto esmaeceu na minha frente. Ainda descrente do que meus olhos viam tentei me levantar.

Então meu mundo rodou e eu girei junto dele, o chão parecia distante e as vistas obscurecidas pelo álcool. Caí lentamente, como uma pena cai de uma ave. O chão de tábuas me recebeu com um estalo oco e de imediato me fez adormecer. Um sono profundo, cheio de sonhos alegres, cheios de luz, de amor e de saudade.

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O Corvo

Nascido nas Minas Gerais, O Corvo é um contista e contador de histórias que tende ao horror e suspense, mas se aventura vez ou outras nos caminhos românticos. Com 22 anos ele é vendedor de materiais de construção e Estudante de Engenharia Civil busca na literatura uma forma de terapia para aliviar o estresse diário. O horror abordado em seus contos fica limitado apenas às páginas que escreve, na verdade sempre foi muito apegado à família, namorada e amigos.

É muito eclético musicalmente (escuta todos os tipos de rock), adora os contos de Edgar Allan Poe, Séries de TV, é jogador de RPG e nunca se adaptou bem a esportes.

Acredita que o mundo pode ser melhor, mas está tentando melhorar a si mesmo para comprovar sua teoria.

E-mail: escritorcorvo@gmail.com

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