Sexta, 14 Outubro 2016 08:07

A Lenda do Chibamba

Escrito por
Avalie este item
(17 votos)

No semiárido cerrado da caatinga baiana, onde o sol ardente bate sob as cabeças de gado dos fazendeiros locais e os abutres sobrevoam o céu azul e límpido a beira do rio São Francisco onde existe uma propriedade abandonada e em cima uma construção podre, uma cabana de madeira envolto por uma cerca de madeira seguida por trepadeiras espinhosas de origem venenosa, e uma placa enferrujada para ficarem longe. O vento uivava fazendo levantar a poeira do chão em pequenos rodamoinhos e a cabana ainda permanecia intacta. Reza a lenda que a cabana e um portal para o habitat de uma criatura maligna, porém nunca ninguém chega perto porque a lenda conta que o monstro canta e dança e seu poder faz as pessoas perderem os sentidos e ficarem como semimortos agonizando até ficaram imóveis para poder devorá-las.

Do outro lado do rio a uns três quilômetros uma fazenda resort enorme com seus tanto e poucos hectares, é também um centro de laser e diversão para muitos jovens que iam passar as férias ou os pais querendo diversão e lazer para fugir da rotina e estressante cidade grande, o dono se chama Francisco, mais conhecido por todos como Velho Chico em homenagem ao rio São Francisco, ele cuida da fazenda junto com sua esposa Elália e mais uma camareira a senhorita Verena de trinta e poucos anos e o treinador e tratador dos bichos o Sr. Damião de uns quarenta anos de idade que também contava a lenda do monstro para seus hóspedes.

A rotina do fazendeiro Chico era dar entretenimento aos seus hóspedes, sempre de doze pessoas, não mais do que isso porque a fazenda não comportava tanta gente e tinham que fazer reservas antecipadas, porém os últimos anos têm diminuído as reservas devido ao desaparecimento de três jovens que nunca foram encontrados no último dia de todos os santos.

A uns dois quilômetros dali tinha uma capela uma igrejinha pequena onde morava o Padre Leonardo conhecido como Leo, que catequizava os poucos moradores da região, e todo domingo realizava a missa para as devotas senhoras que sempre estavam presentes.

Enquanto isso, na velha estrada de chão seis adolescentes de dezoito e vinte anos seguiam com seu jipe turbinado cheio de malas chegando ao portão da fazenda e buzinando, onde o Damião já os aguardava e os recepciona levando-os até a dona e Elália onde ela faz o cadastro e depois Verena, os distribui nos quartos, eram três rapazes e três garotas.

Uma semana se passa e chega o dia trinta e um de outubro, a véspera do dia dos mortos para quem não sabe, e Damião aguardava os hóspedes já no pasto onde uma fogueira estava a queimar, e eles começam a chegar um por um e se ajeitam nos troncos em volta da fogueira enquanto Damião começa a contar as lendas do folclore local e também da criatura que habita a cabana do outro lado do rio.

Todos ficam encantados e bebendo cerveja e vodka, as horas vão se passando e Damião os deixa sozinhos e volta para o hotel, porém quatro deles estavam bêbados o suficiente para não levantarem. Mais Melissa e Paulo, que não beberam nada estavam com muita adrenalina e olham para o outro lado do rio e começam a discutir como chegar do outro lado para ir até a cabana velha.

Já dentro do casarão, Damião dá a instrução pelo rádio para alguém que dois jovens estão a caminho, e o restante ele ia levar com a caminhonete.

Então Melissa e Paulo seguem até a encosta do rio e encontram um tablado de madeira uma jangada que boiava e uma corda amarrada do outro lado, onde eles tinham somente que puxar para deslizarem sobre a água, Os dois sem pensar atravessam o rio e andam na penumbra da noite até chegar ao portão cheio de trepadeiras, eles tentam e forçam até conseguirem achar um buraco ignorando a placa de não se aproximem, e entram no terreno da cabana, eles olham e vão em direção a entrada da porta, e a abrem estava muito escuro e Paulo acende um fósforo e Melissa pega um lampião que estava ali próximo a porta e o acendem, eles observam tudo o cheiro podre vinha de um bode morto que estava próximo a um alçapão que os levaria até o porão.

- Vamos embora, estou com medo, diz Melissa

Mas Paulo seguia em frente e empurra com o pé o bode morto que cai fazendo levantar um monte de moscas, revelando as escadas do alçapão que agora ficou livre para passarem, eles escutam um barulho vindo de baixo onde um vulto é visto em meio a sombra do lampião.

- Quem está ai! Pergunta Paulo

- Paulo, vamos embora deve ser o Chibamba que o Damião nos contou.

- Está com medo!

Assim Paulo não houve sua amiga que já estava se afastando e Paulo é pego por uma melodia e é paralisado caindo de bruços entre o alçapão e a escada, Melissa tenta o ajudar mais também cai ao seu lado não podendo se mexer, então eis que surge um braço fininho e em suas mãos sujas de barro unhas pontudas que os agarra pelas roupas e os puxam para dentro do alçapão.

O cheio estava terrível, e dentro do alçapão um porão interno estava escondido Melissa ainda estava sob o efeito das trepadeiras venenosas cujo Paulo e ela estavam sob o efeito alucinógeno, e visão turva enxergam através da luz um ser com uma máscara coberto com folhas de bananeiras, Melissa grita socorro, mais sua voz estava fraca, e então a luz é acesa e revela todos seus amigos deitados no chão, sendo presos por Damião.

- Ande! Prenda essa aqui, antes que o efeito alucinógeno da planta passe, diz o ser mascarado que dançava entre os corpos pesos no chão como um ritual.

- Charo! Responde Damião ao seu chefe o Sr. Velho Chico, que estava fantasiado.

- Me larga seu Mulambento, ela grita.

Damião prende Melissa no chão que agora estava consciente, e grita e se debate no chão agonizando para não ser morta pelo ser que agora se aproximava dela e com uma fina folha de bananeira passando sobre a sua pele fazendo um corte profundo, fazendo ela gritar de dor, e assim todos são torturados e cortados até a morte, o sangue que escorria sob o chão de madeira, tocava um círculo de giz um pantáculo, onde um portal estava piscando, e uma garra é vista porém ainda não era sangue o suficiente para manter a criatura presa.

- Deste jeito, a criatura vai se libertar precisamos de mais hóspedes, diz o Velho Chico tirando a máscara, e ajudando Damião a empurrar os corpos para dentro do portal que agora sumiam diante de seus olhos.

- Acho que com essas oferendas, o Chibamba verdadeiro, ficará preso até o próximo dia de todos os santos diz Damião, onde agora teremos que entregar doze corpos para mantê-lo preso por mais um ano.

- Acho que vou fazer uma promoção, diz o Velho Chico, subindo as escadas junto com Damião enquanto no pantáculo de giz desenhado no chão dois olhos vermelhos famintos aparece e desaparece no velho chão da cabana fazendo um rosnado faminto.

Lido 995 vezes
Otávio Augusto Rodrigues

Sou Otávio Augusto Rodrigues (O. A. R.) natural de Curitiba / PR, Brasil. Tenho trinta anos sou formado em Ciências Contábeis pela PUCPR, 2005 a 2008 e pós-graduado em Controladora pela UFPR de 2009/2010 e desde então ministrando várias atividades e cursos. Trabalho com Logística, porém meu hobby é a escrita adoro escrever e minha cabeça ferve de tanta imaginação, já tenho dois contos publicados pela Academia Alquimia das Letras em 2014 / 2015 onde meus contos fazem parte integrante do livro Feiticeiro das Letras e 50 Tons de Vermelho Sangue. E acredito que qualquer um pode fazer a diferença desde que se empenhe 10X a fazer aquilo que deseja e tenho um sonho de um dia mostrar ao mundo minhas obras e publicar meus livros que estão a caminho.

E-mail: otavioaro@hotmail.com

Links: https://www.facebook.com/otavioaro

Conheça mais sobre o meu livro, As Crônicas de Biier e os Guardiões da Magia acessando o link: https://www.amazon.com.br

1 Comentário

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.