Terça, 18 Outubro 2016 20:39

Baseado na Realidade - LUA VERDE

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Capítulo 1

LUA VERDE

Estava trabalhando, em meio a uma pilha de tarefas que lhe trazia tanto prazer quanto a enfiar as duas mãos em um buraco cheio de formigas de fogo. Hoje o dia iria demorar a acabar.
(vibra)
Mensagem de sua esposa, dizendo que uma ida ao mercado era necessária, pois o leite tinha acabado.
Ao relógio, aquela combinação perigosa de números que indicava que muito em breve os mercados estariam fechados.
Uma dor aguda em seu ombro indicava que uma forte pressão iria começar.
Olha ao lado, e percebe seus superiores se divertindo com a possibilidade de atravessar a noite, fazendo um trabalho de péssimo gosto, que provavelmente as pessoas iriam odiar.
Ninguém gosta de propaganda.
Sentiu uma profunda angústia, sentiu uma sensação tão forte, que chegará a um passo de perder a fé em toda a humanidade.
Estava se afogando, enquanto seus colegas desfilavam de jet-sky.
Pensou, foda-se, vou dar uma saída, já estava com seu sono, felicidade e energia completamente comprometidos.
O mercado já era, o dinheiro também.
Vou fumar, pensou…
Ao sair, percebeu que a luz da noite estava diferente, sombras da lua cheia, mas existiam tonalidades e nuances interessantes.

Deu uma volta na quadra, pensando no que poderia fazer para sair da atual situação que se encontrava. Precisava rapidamente encontrar um novo caminho.

Olhava o chão enquanto andava, e pensava nos últimos anos.

Quantas foram as mudanças. O jardim mudou, a marca mudou, a fachada mudou quase todas as pessoas mudaram, exceto ele, que continuava a pensar, que merda ainda faço aqui.
Estava estranho, a luz, os pensamentos nostálgicos, toda sua energia estava sendo esvaída em direção a essa sombra diferente, estranha…

Quando percebeu, já estava chegando novamente à sua área de trabalho, olhou para sua máquina e, rapidamente calculou quantos anos passou olhando aquela tela de luz.

Logo seus devaneios matemáticos foram interrompidos por uma piada de péssimo gosto, e se obrigou a rir. Riso nervoso,. (contar piada)

Sentou em frente à sua máquina, resolveu se perder pelos cantos escuros da internet.
Foi de texto em texto, vídeo para outro, até encontrar um chamado

LUA VERDE - ENTENDA O QUE ESTÁ ACONTECENDO.

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era o que ele precisava, um cara maluco vomitando teorias da conspiração.
Teórico da conspiração, isso era quase como uma profissão para ele, exceto pelo fato de que isso era muito divertido, e ele não ganhava um centavo por isso.

FODA-SE, PLAY

O vídeo começa, é um típico vloger, um jovem de uns vinte e tantos anos, olhando de forma firme e fixa aos seus olhos,. 5 longos segundos se passaram, e ele diz….

Vou contar um segredo, você está sendo enganado, e eu tenho como provar. Estou falando em nome do meu povo, e neste canal, vou mostrar para você evidências de que tudo o que você acredita esta sendo….

(interrupção)

Seu nome é dito em um tom bem alto pelo seu chefe. Nesse momento, devido ao interesse pleno na mensagem conspiratória meio matrix, sentiu um calafrio tão forte que sua alma desceu em alta velocidade em direção ao inferno.
Lembrou de uma vez que foi obrigado a fazer um trabalho em que não concordava, lutou por dias contra essa ideia, que julgava horrível. Mas, no final, foi obrigado a executar. Como era de se esperar, o cliente, que era uma pessoa extremamente desagradável, odiou esbravejou, mandou email até pro dono do sul do mundo. E quem será que levou a culpa?

Escuta
Você quer mostrar que é bom pra caralho e que posso contar com você né?
Então pega essa apresentação para desenhar. Lembre-se, a reunião é amanhã às 9:00 da manhã, e se não mandarmos bem, iremos perder a conta. Sabe como é, essa conta paga o seu salário e o de todos a sua volta...
Risos,
Dessa vez não riu, Só resmungou com voz firme, Deixa comigo.
Manda uma mensagem para casa

:(

já sabia o significado dessa cara triste, a essa hora da noite. Iria varar mais uma noite.
Todos se levantam, e vão embora.
127 telass….127 TELAS em menos de oito horas, tô fudido, esbravejou.
O relógio mostra a terrível combinação de números 01:23.
Sozinho, fudido, de novo… Sente uma coceira no pescoço. Mal sabia ele que essa coceira iria iniciar uma cadeia de eventos inimagináveis.

----

Começou a fazer contas, 7:30 são 450 minutos, tenho 127 telas para montar, então, em média tenho mais ou menos 3 minutos e meio para montar cada tela...sem fumar, nem divagar….RIU ALTO

Escreveu bem grande em seu caderno, riscos tão fortes que seu grafite chegava a atravessar sem rasgar as folhas de papel canson.

FODA_SE (ilustra)

Lembrou, enquanto riscava a toda a força o traço abaixo da tipografia raivosa, de sua pilha de desenhos, com mais de 10 blocos cheio de gravuras e insanidades. Pensou que, se tivesse feito escolhas diferentes, aqueles rafs e ideias poderiam ter dado certo, e ele não precisaria fazer esse trabalho que até ornitorrinco jovem sem uma perna conseguiria executar.

Lembrou especificamente de um desenho que fez, que de fato nunca tivera tanto sentido quanto agora, Um alien segurando um jarro, que continha um líquido bizarro, junto ao seu próprio auto retrato, decapitado, submerso. Pensando bem, ainda fazia pouco sentido. (ilustra)

Divaguei, droga, perdi 5 min, fudeu. FECHOU BEM OS OLHOS, e começou a desenhar a maldita apresentação. Chegava a suar ali, quase parado. Movia apenas suas mãos, a esquerda sobre o teclado, fazendo malabarismos sinistros, e a direita com sua mesa digitalizadora. Movia tão rápido que parecia ali, ser possível, começar uma fogueira.

Enquanto desenhava freneticamente, em sua mente, pensava na fogueira. Como é lindo fazer seu próprio fogo, todas as pessoas deveriam passar por essa experiência, fazer uma fogueira apenas com a fricção de madeiras, ou, no máximo uma pederneira. Poucas coisas podem fazer você se sentir tão poderoso, e humano.

A fogueira tem uma forte relação com a criatividade. Para fazer uma fogueira, você precisa de ferramentas, conhecimento, experiência, e engenhosidade. Exatamente o mesmo que você precisa para tirar uma boa ideia.

Mas essa história não é sobre criatividade.

Preferia estar, naquela mesma hora, perdido numa floresta no escuro, na chuva, tentando fazer uma fogueira, a estar desenhando aquela merda.

Voltou à apresentação, chegou a uma página que saia obviamente da média rápida de desenho de olhos fechados que vinha fazendo. Um gráfico, que merda, o gráfico parecia ter sido desenhado por uma criança de 2 anos, com a mão ruim, obviamente deveria redesenhar tudo, não poderia, mesmo achando tudo aquilo de extremo mau gosto, deixar passar algo tão graficamente abominável.
Começou a rafear o novo gráfico, pensou em utilizar cores usadas pelos grandes surrealistas, surreal, já pensou como seria irado se fosse ele o Jesus Hypercubus, ali olhando tudo à sua volta derretendo, como seria lindo, se a sala onde estava, as máquinas, as pessoas, apenas começassem a se liquefazer…lindo.

Enquanto divagava, desenhava, quando abriu os olhos, o que encontrou, na sua tela, um gráfico todo pronto, aceitável com o nível da apresentação que não era das melhores, e em sua frente, um raf completamente insano e surreal. (ilustrar)

Olhou a relógio, combinação interessante de números,...3:58. FiBONACCI, gritou. Deve ser uma coincidência harmônica eu ter desenhado esse gráfico é feito esse raf bem louco a essa hora. Olhou em que página se encontrava, como se isso fosse sua única localização que importava.
Página 89, FIBONACCI, gritou novamente, agora se sentindo o recordista mundial de velocidade na montagem de apresentações inúteis. Pequenas vitórias devem ser comemoradas, pensou.
VOU FUMAR!!!
Desceu a escada ainda se sentindo um herói, tão importante quanto um que conseguiu enfrentar o LOBO de frente sem hesitar. Ria alto da situação irônica em que se encontrava, feliz...estranho….
Acendeu seu cigarro e deu uma tragada tão forte, que era como se transformasse todo o oxigênio do lugar em deliciosa nicotina.
A noite estava definitivamente estranha, a luz não estava certa. Deu mais uma tragada, tão forte que chegou a esquentar seu corpo. Quando soltou a tragada, saiu, do meio da cortina densa de fumaça, Clóvis, o vigia noturno.
Susto
A reação ao susto muito forte é muito engraçada. Faz com que gigantes gritem como puddles chorões e meninas reagirem com um soco tão forte capaz de atravessar um crânio desavisado.
ele...ficou imóvel, sua adrenalina foi tão alta que, se movesse um músculo, iria explodir o que tivesse a sua frente.

Tinha uma teoria sobre o susto, principalmente sobre a reação ao susto. Quem corre, ou parte para cima, é um sobrevivente, quem chora, cai, treme, com certeza morreria rapidamente em uma situação de apocalipse zumbi. Mas isso é uma história bem diferente…

Que Jesus esteja com você, disse Clóvis, o Vigia Noturno.

Me esfolem vivo, pensou. Mas respondeu a segunda coisa que lhe veio à cabeça. Vc tb. A terceira coisa que pensou, foi, que merda de resposta.

Clovis era estranho, ele tinha olhos saltados, um rosto fino, parecia que CLóvis era um viciado em Crack que veio direto de plutão…
Mas, ele andava com uma bíblia sempre em sua mão. Aquela merda não fazia nenhum sentido...E chato, demais, preferia andar descalço em cacos de vidro à conversar por meia hora com Clóvis.
Você está vendo o que está acontecendo, diz CLóvis com a voz embargada. essa crise política, tudo está ligado, Jesus vai descer do céu em muito pouco tempo, e vai deixar aqui apenas os fiéis a sua palavra.

Ai sim a merda estaria completa, pensou. Balbuciou uma resposta e se retirou.

Chegando à sua máquina, e já que o papo estranhos sobre jesus tinha interrompido seu cigarro, resolveu continuar seu vídeo de conspiração, afinal, pequenas vitórias….

PLay

forjado para que você seja controlado, e o mais genial é que você realmente acredita que é livre para tomar suas próprias decisões ...riu alto o jovem ao vídeo.

Pausou por mais cinco segundos, antes de continuar.
Existe no mundo uma organização que detém livros antigos, escritos pela raça a humana, contendo informações que preenchem praticamente todas as lacunas e anseios de vocês. Esses documentos datam de pouco mais de 60000 anos, depois da grande guerra.

Pause,

pera, 60000 anos, isso está muito errado o que conhecemos escrito mais antiga é datado, ainda sob controvérsias, a coisa de 12000 anos. Antes disso, em teoria, não existia civilização,

Play

Vou contar agora, um grande segredo, que é mantido a todas as custas a milênios, mas que agora faz pouca diferença...e tenho como provar.

Primeira verdade: A raça de vocês já formou grandes civilizações ,muito mais avançadas que que vocês são agora, e, que de tempos em tempos, é reiniciada. Mas isso vou contar mais para frente.
Primeiro, vou ensinar um pouco da história dos humanos, e deixar disponível para download as provas.
Nós chamamos cada período da história de vocês de Rtoria,. são períodos de exatamente 12000 anos, na medida de tempo de vocês.
Vocês antes não eram assim, misturados aos primatas, no primeiro RTORIA, vocês tinham seus dnas misturados aos

CAI A LUZ
ESCURO

GRITO

FILHA DA PUTA< SERÁ QUE SALVEI A PORRA DA APRESENTAÇÃO!!!!!

(Continua)

Depois de uns 10 minutos de agonia e uns 10 quase ataques cardíacos, lembrou de ter salvo, antes de ir fumar. éééé, com certeza!

Mais calmo, agora com os olhos mais adaptados à escuridão, pensa, essa noite está absolutamente estranha.

Já que era de madrugada, e nada mais poderia ser feito, resolveu sair, dar uma volta.

De madrugada, segunda feira, nada aberto e tudo, até onde conseguia ver, estava em uma escuridão absoluta.

Acendeu seu cigarro e foi a esquerda, já que não tinha lugar nenhum para ir.

Andou, seus pensamentos estavam bagunçados, acelerados, lembrava de fatos de sua infância, lembranças que não tinha a muito tempo, pensava no mundo, nas guerras, nas pessoas. (descrever lembranças)

Olhou a esquerda e viu a lua, tímida crescente. Parecia um sorriso maroto. Tinha uma boa luz, já que tudo estava absolutamente escuro, a luz da lua crescente criava uma belíssima e interessante penumbra.

Mas o mais peculiar, eram as sombras, estavam menos difusas que de costume, as bordas eram mais firmes, porém, bem claras, já que não tinha tanta luz. E tudo parecia tomado em um tom de verde.

Era um conhecedor de sombras, precisava para melhorar suas habilidades de desenhista, um bom conhecimento em cores luz e sombras, gosta de estudar e observar muito esses detalhes, que muitas vezes eram críticos para uma boa ilustração. Mas esse conhecimento nada valia, na sua tarefa escrota de montar apresentações.

Esse clima deixava tudo muito mais sombrio, apenas essa leve luz, levemente esverdeada, criando poucas e próximas definições da paisagem. A luz do bairro inteiro parecia ter desaparecido.

Continuou em frente, estava alto, seus passos pareciam flutuar sobre o asfalto que estava tão escuro que parecia que ele andava sobre a própria noite.

Parecia que estava se movendo como um solo de David Gilmour em Shine on a Crazy Diamond.

De longe, ouviu um barulho, um tipo de bip abafado, um som, um si agudo tocado em um baixo fender, mas trastejando um pouco, que parecia um padrão. Código morse, pensou. Era mais simples, curto, longo pausa, curto longo, pausa.

Foi se aproximando e sentiu o som ficar cada vez mais forte, seus passos, já sincronizados com o tempo do som, a cada passo que dava, chegava mais próximo da origem do som, e da escuridão. Quando chegou bem próximo, um silêncio estarrecedor.

Escuro, silêncio, nem as cigarras cantavam mas, sentiu um grande vazio, como se estivesse voando no meio do espaço, a milhões de anos luz de qualquer outra coisa.

Uma mão gelada em seu ombro, sentiu deslizando pelo seu pescoço, e deu uma leve apertada em seu ombro.

O susto é uma coisa realmente impressionante. Levou um susto tão grande, a energia foi tão forte, que chegou a fazer a luz voltar na cidade.

Com a claridade, chegou a ficar difícil de ver qualquer coisa. Quando seus olhos começaram a criar definição nos traços, viu um trio de mendigos, um deles pegou seu ombro.

Que nojo extremo, cheiro forte de álcool combustível com animais em putrefação, com as pernas ainda bambas, e quase tendo um teto preto. Reagiu, retirando a mão de seu ombro com um tapa.

Que SUSTO PORRA, disse com voz firme.

Os mendigos, que estavam tomando uma garrafa de 2 litros de um liquidos provavelmente muito alcoolico, riram. Disse desculpa, um deles, oferecendo um gole.

Recusou,

De repente, um que estava mais atrás veio se aproximando, meio cambaleando, e percebeu, que era uma pessoa muito parecida com Clóvis, olhos grandes, rosto fino.

Disse. Esse dia está muito, muito louco...a mãe deve se aproximar com cuidado para que ninguém perceba, e assim, todos estarão salvos, principalmente os filhos das árvores.

?????? Pensou

Recuou, e começou a ir embora, enquanto ouvia o louco gritando

Fica aqui que você será salvo, fique com a gente, é o melhor local

ele foi indo embora pensando que poderia ter morrido ali, de susto, que ridículo seria. Se fosse um apocalipse zumbi, estaria morto agora.

Chegou novamente a agencia, e enquanto se aproximava de sua sala, o corredor parecia ganhar distância extra, enquanto sua ansiedade aumentava, pensando na possibilidade de perder sua apresentação, e ter que fugir dali para sempre.

Não é má ideia, pensou. Riu alto da ironia da situação, mas pensou positivo,. Se não perdi,ok, falta pouco a terminar.
Se perdi, posso ir embora bem tranquilo e sair dessa merda que se encontra.
Pintor de paredes, pensou. Trabalho nobre, empenhoso, exige certa qualidade de acabamento.Deve dar pra ganhar mais que ganho aqui.

Chegou em sua máquina, ligou, esperou um pouco, e nada. Apertou novamente o botão, nada.

Nada. Caralho. É pior do que perder a apresentação. A máquina morreu.

Nada

NAda

De repente, ligou, fez um barulho diferente. Alto, estridente, parecia que barras de ferro estavam se esfregando.
Parou o barulho, e ligou normalmente.

QUe noite estranha essa. Olhou a hora. 5:13. Mas que porra, qual a chance, pensou. Números de Fibonacci novamente.

Deve ser um sinal que as coisas vão melhorar.

Terminou de abrir, fechou os olhos e….sentiu uma forte coceira no seu pescoço, bem onde o mendigo colocou a mão.

Que nojo, pensou, correu ao banheiro e começou a lavar violentamente o local, esfregando com força. Pegou um álcool na cozinha e tomou um banho.

Agora, se sentindo um pouco melhor, voltou a sua máquina.

Maldita escuridão, pensou.

Vamos lá, agora passou, em frente que falta pouco, e já já o dia irá amanhecer.

(Continua)

Abriu o software receptáculo de apresentações, fechou novamente os olhos, e começou a montar rapidamente telas com textos que já não lia mais,

Pouco mais de 15 minutos depois, recomeçou a coceira no seu pescoço, forte, obviamente algo estava errado. Tomou todo o lado esquerdo do seu crânio, parecia que algo rastejava sob sua pele.

Foi novamente ao banheiro, para tentar lavar a origem do prurido. Quando se olhou no espelho, viu algo que julgava impossível. Seu pescoço, ombro e rosto estavam tomados por um vermelho super forte, e alguns pontos levemente esbranquiçados.

TENSO, algo está muito estranho.

Continuou a olhar, parecia que o vermelho aumentava a cada segundo.

Pensou, vou terminar essa merda e correr ao médico. Agora, antes das 6 da manha, nao conseguiria atendimento, e seu senso de dever era levemente maior do que seu senso de alta proteção.

Continuou a trabalhar, e pensou, devo esquecer isso por enquanto.

Para um desenhista, é incrível o quanto você pode se concentrar enquanto está trabalhando, às vezes passam-se horas, mas parece que foram minutos.

De repente, sua coceira se tornou insuportável, parecia que algo se movia dentro do seu ouvido. Surdo, agora piorou bem.

Tirou o fone, e ao olhar para o esquerdo, percebeu algo pequeno lá dentro. Era uma larva, de algum bicho, uma larva pequena, com dois olhos vermelhos, que se viraram em sua direção.

Ta me encarando, não acredito!!!

QUE NOJO

ISSO SAIU DE DENTRO DE MIM???

Pânico, medo, paranóia.

Deve existir algo lógico nisso, algum bicho deve ter botado ovos dentro do meu fone, não é possível. Para garantir, jogou o fone fora, no lixo.

Sem música, surdo e com coceira. Olhou em volta, e ainda era noite.

Olhou ao relógio, eram 8:01 da manhã….

CARALHO, a reunião é daqui a pouco, nem amanheceu ainda, como é possível?

Sentou em sua máquina, e destruiu na velocidade maxima, ignorando as dificuldades.

8:58. Salvando PDF!!! a chefia vai chegar a qualquer momento.

Foi ao banheiro olhar como estava seu pescoço.

PÂNICO

estava vermelho, necrosado, cheio de buracos. Seu olho esquerdo estava vermelho como sangue, até sua pupila estava vermelha. O lado direito do seu rosto estava melhor, mas seu olho estava negro como petróleo. olhou fixamente para a ferida, e percebeu um verme saindo de um buraco, muito próximo ao seu ouvido.

Eu seu casaco, marcas de corrimentos, como se algum tipo de lesma tivesse andando por ali, muitas lesmas.

Que bizarro isso, ,vou morrer, malditos mendigos.

Voltou a sua máquina, carregamento em 35%. Fibonacci, sua puta, quer me foder agora. Foi lá fora, fumar. Quando colocou o pé para fora, percebeu que ainda era noite. Que é isso, já era pra estar bem claro o dia. Que estranho.

O tom de verde ainda estava muito forte.

Acendeu, em desespero puro. Quem já passou por uma situação de desespero puro, entenderia o que ele sentia. Ficou ali, fumando, em agonia, tentando entender o significado de tudo aquilo, quando sentiu uma forte coceira em seu olho esquerdo.

Maldição, preciso ir ao médico, vou chamar um Uber. Deixo a apresentação pronta e me mando.

Sem internet. Sem sinal,. Sem sol. Com larvas saindo dele.

começou a sentir uma dor aguda no olho, e conseguiu ver, embaçado, uma larva saindo de seu olho.

CORREU, o hospital é muito próximo daqui. Luz verde do inferno. Após algumas quadras, topou com os mendigos.

Malditos,
D
muito bravo e apavorado, começou a gritar com eles enquanto eles riam muito. Ficou irado, toda a sua raiva, reprimida por toda a sua vida, veio a tona. Explodiu numa forte onda de energia, chegou a tremer a terra. Pulou em cima dos mendigos, e com seu próprio punho, explodiu eles, transformando-os em ossos quebrados e uma pasta de carne.

Tivera seu próprio dia de fúria, se sobrevivesse às larvas,passaria o resto da sua vida enjaulado...

Quando percebeu, aquela massa de carne nojenta e fétida, começou a se juntar, e borbulhar, como a mais nojenta das sopas que o universo inteiro não conseguiria sequer imaginar… E o cheiro, nossa…., aquela sopa fervilhante se transformou em um monstro, muito parecido com seu próprio desenho, era um tipo de humanóide, mas com pele de réptil. Alto, feio, monstruoso.

Ele começou a correr, sem olhar para trás, essas larvas saindo de seu corpo já pouco preocupavam. Correu mais do que podia, mais do que conseguia. Olhou para trás e percebeu q o monstro continuava a mesma distância, porém, enquanto ele corria loucamente, o monstro parecia andar calmamente.

Correu mais, e mais, até que seus músculos pararam de obedecer, e caiu de joelhos sob a luz verde

vomitou, tudo, litros de café, e milhares de larvas. Olhou, e só queria vomitar mas, estava tomado, provavelmente morreria.

Chorou, pensou no que perderia ao morrer, se ajoelhou, olhou ao chão.

Quando olhou novamente para frente, estava o monstro. Lhe olhava com cara de dó, complacência. Ele disse, com a voz mais doce que já ouvira: falei para ficar com a gente, poderia ter evitado a infecção.

Ele, soluçando, ,pergunta, o que é você?

O monstro, ainda olhando com um olhar angelical, como se isso fosse possível, se aproximou e com sua mão gigante, lhe acarinhou a cabeça.

Meu filho, não importa mais, respondeu.

Com um breve movimento, separou sua cabeça do corpo, e a guardou em uma jarra.

FIM

Lido 456 vezes Última modificação em Terça, 18 Outubro 2016 20:52

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