Quarta, 23 Novembro 2016 16:03

Escova de Dentes

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Entrou no banheiro segurando o choro, de novo fora humilhada pela irmã. A irmã mais velha era sádica, qualquer coisa era pretexto para espancamentos, socos, murros, tapas, xingamentos. Agora mesmo por um nadinha. Que foi aquilo, meu Deus?
Um prato que lhe escorregou das mãos ao ouvir que o Célio chegara com sua mãe para uma visita. Que culpa tinha ela se o coração se acelerara de repente e as mãos tremera e o prato caíra? Tinha quatorze anos, não merecia isso, ser humilhada, socada, na frente do garoto. –É uma tonta, não faz nada direito, essa aí só sabe comer e dormir! Foi assim que a irmã justificara às visitas os tapas e socos. Tudo na frente do Célio! Que vergonha! Ficara abobalhada como sempre, morrendo de ódio, mas sem reação. Queria morrer! Mesmo de cabeça baixa ela ouvira o riso das visitas. –Adolescente é assim mesmo, o mundo hoje tá perdido! Não fazem nada!... Dissera a mãe do Célio como aplaudindo a irmã. E o Célio? Ele ria divertido. Idiota! Sim, idiota ela, não ele, pois que o amava em segredo já fazia tempo. Queria beijá-lo como se beijava nas novelas: de língua! Como seria? Passava horas a beijar o braço para treinar. Sonhava ele a pedindo em casamento, então iriam morar nos Estados Unidos longe da irmã e seriam felizes por toda vida. Lá tinha neve e dormiriam agarradinhos no frio! Sim, ela era uma idiota mesmo como sempre afirmava a irmã. A irmã mais velha tinha razão, quebrara o prato porque estava apaixonada. Mas precisava apanhar? Queria morrer, para que viver se não servia para nada mesmo como dizia a irmã? Sim, iria se matar e seria agora, aproveitaria que a irmã fora com as visitas até a casa de um parente na rua de cima. Era longe, precisavam fazer a curva lá em baixo perto da ponte velha, dava tempo de morrer. Olhou nas prateleiras atrás de algo para acabar com a vida. Viu vários frascos, todos da irmã, tentou ler, mas tinha dificuldade, parecia tudo nome estrangeiro. Diziam que tarja preta matava, mas não via nenhum. Ficou com medo, não queria morrer pela metade, ser socorrida e depois ficar falada como a vizinha Vera que tomou um vidro de remédio depois que o noivo sumiu. Vera não morreu, a rua toda chamava ela de louca. A irmã já a chamava de louca era horrível, e se sobrevivesse e a rua toda ficasse como sua irmã a humilhando por um nadinha? Não, não podia. Na rua tinha gente que gostava dela e sabia que era a irmã que era louca, a sádica que tornava sua vida um inferno. Tinham pena dela. Se descobrissem que ela tomara remédio e não morrera ela iria sofrer mais, não seria mais a tadinha. Queria só morrer ou então virar homem, pois homem não apanhava, pensou no irmão, nele ela não batia, se batesse ia ver só!.. Queria morrer! Viu a escova de dentes da irmã. A irmã tinha mania de limpeza, vivia faxinando, não podia ver um pozinho solto que já passava o pano. Esfolava os dedos areando as panelas. Tomava muitos banhos, era um entra e sai do banheiro que não acabava nunca. Que ódio, às vezes tinha que segurar o xixi por horas porque a irmã estava se areando, para quê? Nem namorado ela tinha. Teve, mas foi abandonada. Era uma doida sem homem, ouvira certa vez a vizinha dizer. Gostara! A irmã era nojenta, tinha muito nojo de certas pessoas. As visitas vinham ela tratava bem, iam embora ela passava álcool nos garfos e nas colheres enquanto resmungava consigo- Gente imunda! Era uma doida, uma sádica! A escova da irmã brilhava no copo meticulosamente limpo. Se ela fosse homem a irmã respeitaria, o irmão aprontava, a desafiava e ela aguentava calada no máximo clamava por Deus. -Que fiz, meu Pai, para merecer isto? Queria ser homem! Tocou a escova de dentes. O coração acelerou de medo, a irmã sempre sabia quando ela tocava em suas coisas e batia. Certa vez apanhara de ficar roxa porque penteara o cabelo com o pente da irmã. Como ela descobriu não sabia. Um dia estava sentada vendo televisão e a irmã aparecera de repente com os olhos saltando do rosto, as bochechas inchadas e vermelhas, mal conseguia falar. Não falou, foi dando pancada. Nem sabia porque estava apanhando, só soube no fim da surra, aí então a irmã exausta de bater, berrou: Isto é para você aprender a não mexer no meu pente, sua imunda, sua porca! Nesse dia chorara tanto, só e quieta, repetindo baixinho para si a frase que a irmã usava -Meu Deus o que fiz para mecerer isto? Deus nunca respondeu. Ficou olhando a escova da irmã. Era uma escova nova, daquelas do comercial da teve, pois a irmã trocava regularmente de escova como o médico recomendava. O coração estava aos saltos, se a irmã a pegasse assim segurando sua escova seria uma grande surra. Estava com medo, mas não soltou a escova, ao contrário alisou o cabo e as cerdas calmamente, depois sentou no vaso sanitário tirou a calcinha e abriu bastante as pernas, surgiu o clitóris intumescido. Com a escova de dentes da irmã começou a massagear a vagina. As cerdas não eram macias como dizia no comercial por isso o prazer era mais intenso. Friccionava ora o clitóris ora massageava a vulva. O orgasmo não demorou e veio intenso. Apertou as coxas, a escova da irmã entre as pernas e gemeu e arfou baixinho, mordeu os lábios, se arranhou, depois tirou a escova molhada de seu prazer e a recolocou no copo imaculadamente limpo. Vestiu a calcinha, lavou o rosto e se olhou no espelho. Linda! Disse para si confiante. Antes de sair deu uma olhada na escova de dentes. E se a irmã descobrisse, ela era sádica, lembrou-se. Que seja! O prazer será maior, pensou.

Lido 320 vezes Última modificação em Quarta, 23 Novembro 2016 16:12
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