Quarta, 14 Dezembro 2016 13:36

Ossos no armário dos meus dias

Escrito por
Avalie este item
(11 votos)

Coleciono ossos
Não estes dos mortos
Menos dos vivos

São ossos no armário
Das muitas mortes que tive
Das tantas vidas a ter

Esqueletos gordos de sonhos
Prenhes de ilusões mambembes
Desfiadas em rosários seminais

Centelha primípara
Órfã do real querer
Estrábica espiã dos dias
Pretensiosa, premonitória
A desvendar verdades

Em pele de cordeiros
Estas lobas sedentas de dor
Devoram agonias
Rasgam alegorias
Desnudam pele crua
Desta vida que não é minha
Muito menos tua.

Lido 492 vezes
Paulo Ismar Mota Florindo

Formado em Ciências Econômicas, especialização em Marketing e Recursos Humanos, participa eventualmente de concursos de contos ou poesia, já tendo sido publicado em antologias. Escreve por hobby e porque gosta de compartilhar seus textos.

Mais nesta categoria: « Sobre ser poesia II Gato de Rua »

1 Comentário

  • Link do comentário Roberto Monteiro Domingo, 18 Dezembro 2016 15:55 postado por Roberto Monteiro

    É como se você remexesse naqueles armários velhos onde escondemos nossas lembranças que não queremos reviver. Bem escrito e um estilo moderno fugindo da mesmice e bom mocismo chato.

    Relatar

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.