Erótico
Sexta, 05 Agosto 2016 14:46

A Gota

Tem uma gota de porra escorrendo bem no meio da minha testa e quer saber, vou deixar ela ali, rolando calmamente descendo a curva do meu nariz até pingar no topo do meu lábio, aí vou capturá-la com a ponta da minha língua. Vou deixar ela dissolver na minha boca espalhando o gosto amargo dessa vez, porque eu sempre engulo tudo correndo como um remédio; mas sei que cada homem tem seu próprio gosto armazenado nas bolas, que deve ser apreciado, memorizado, teorizado.

Quinta, 04 Agosto 2016 12:34

Tarde Livre

O cinto atado imobilizava as minhas mãos. Eu tentava guardar o sorriso de felicidade dentro dos olhos.

Quarta, 27 Julho 2016 14:55

Os Olhos do Acaso

Antes de falar do que vou dizer, preciso que vocês entendam como tudo aconteceu. Nada foi por acaso, é claro, mas o “acaso” é mera ferramenta do destino, nós é que não compreendemos.

Sexta, 22 Julho 2016 13:57

Outros Braços

Por mais que estive parada há vários minutos, impossível que a cerveja estivesse morna. Fazia 10 graus e os sinos da igreja badalavam tentando me acordar do meu transe. Eram, portanto, seis horas. É difícil tomar cerveja no frio, as mãos gelam, mas fazia tanto tempo que me baseava em vinho que só de sentir o cheiro ao aproximar o copo da boca já senti saudade. Depois de alguns anos a gente perde a delicadeza de esperar a pessoa chegar para começar a beber. O máximo que espero é a tristeza.

Terça, 19 Julho 2016 12:28

Putinho

Mandei ele ajoelhar e lamber cada pelinho da minha virilha. “Não pode chupar”, eu disse, segurando os cabelos dele, que lambia pentelhos e se masturbava como se estivesse em devoção à sua deusa. Quando
Sexta, 15 Julho 2016 14:02

Pintinhos

Lá estava eu, fumando um cigarro embaixo da marquise e pensando como seria minha vida se fosse lésbica, se seria igualmente ninfomaníaca e me submeteria às mais diversas indiadas em busca de outra buceta pra tesourar com a minha. Do céu, deus jogava baldes d’água e brincava de sacudir as árvores e entortar
Sexta, 08 Julho 2016 12:33

Em movimento

Cheguei em casa e antes de dormir o sono mais profundo me obriguei a tomar banho. Minha meia-calça ainda estava na minha bolsa junto com os trocados que sobraram do táxi. Era feriado. O dia seguinte ao meu aniversário é sempre feriado, o que se mostrou muito útil ao longo dos anos a medida em que as ressacas aumentavam. Estendi a meia-calça na cadeira, deitei nua na cama pois o verão já se manifestava; a persiana estava fechada, mas ainda assim entrava muita luz e eu enxergava meu corpinho com muita clareza. Era meio confuso, eu já estava sóbria então era realmente confuso, como eu não sabia bem o que eu era. Algumas horas atrás eu me sentia mulher, mas ali, estirada na cama tendo somente a minha gata como testemunha, eu era uma menina. Percebi, naquele momento, que as minhas tetas nunca cresceriam. Dei um suspiro triste, me virei de lado e dormi profundamente.

Segunda, 04 Julho 2016 21:42

O atleta

O verão é sempre uma época propícia para os romances sem muito alarde. Romances de um, dois meses, fodinhas fixas, relacionamentos tão ligeiros que não sobrevivem a uma menstruação; romances meigos, finitos e efêmeros, como eu tanto aprecio.

Segunda, 04 Julho 2016 21:35

Feito um Pulgão

Ainda que eu odeie os pulgões, sinto qualquer coisa de inveja na forma com que eles se deslocam: não voam, apenas se deixam flutuar através do vento até pousar em uma planta de seu interesse. Quisera eu ser leve assim, andar perfumada de ervas pelo espaço e me grudar chupando seivas o dia todo.

Sexta, 01 Julho 2016 12:31

Escadaria

Não confio na minha memória de setenta anos. Sei que vivi muita coisa, e minhas caixinhas do passado estão ficando cada vez mais difíceis de se acessar. Por isso, devo registrar minhas memórias agora, no alto dos meus 20 anos, enquanto ainda posso discernir o real da ficção e disso usufruir ao meu bel-prazer. Quando estiver lendo essas páginas aos setenta anos talvez crerei que tudo é verdade, ou que é mentira. Talvez me entranhe nas nuvens do passado e de lá nunca mais volte. Eu-presente já me pego fazendo isso. Às vezes, à noite, enquanto tomo meu chá, olho pro longe e me quedo lá, revendo homens que passaram, amores que eu nunca me permiti sentir.

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