Fantasia
Sexta, 14 Outubro 2016 10:40

A Caça

Naquele dia luminoso, Maga resolveu usar sua melhor roupagem para ir à caça, como dizia.

Sexta, 14 Outubro 2016 10:23

Abissal

Vaguei sem rumo pelos umbrais do inferno. Tempo suficiente para que o ódio que embaçava minha visão se dissipasse e finalmente pudesse raciocinar direito. Levei eras para alcançar os portões de Dante e ler, com dificuldade, que toda minha esperança acabava ali. Certamente Dante havia pegado um atalho até aquele portal, pois minha esperança já havia acabado há muitos e muitos anos.

Sexta, 14 Outubro 2016 10:08

Travessia entre Vidas

A seguir vocês lerão uma carta datada do século passado que por motivos desconhecidos não foi concluída. Ela foi encontrada no quarto de um jovem que passou parte da sua vida atormentado por surtos psíquicos incompreensíveis até sua morte.

Sexta, 14 Outubro 2016 10:00

O Sonho do Sô Aldor

Já no primeiro raio de sol que inundouo seu quarto, o Sô Aldor pôs a coberta de lado, puxou as pernas e pisou nos seus calçados, quando sentiu a palma do seu pé, dormente, a formigar. Esperou por alguns minutos até que seus miolos terminassem de acordar.
Sexta, 14 Outubro 2016 09:41

No fim do Mundo

Tudo começou no dia do culto. Eu estava na fazenda da minha Avó e caminhava em direção a igreja acompanhada pela minha tia. A igreja não fica muito longe da casa, apenas alguns metros. Em um determinado momento avistamos próximo ao mata-burro¹ uma grande multidão, vinham caminhando lentamente e na frente das pessoas via-se um homem de cabelos grandes e que aparentemente era seguido pela multidão. Quando olhei aquilo perguntei a minha tia. Ela não soube dizer quem eram. Entramos, nos sentamos, fizemos a primeira oração. Então eles chegaram. O homem, o primeiro a entrar, caminhou pelo corredor até o púlpito², me perguntei se seria ele que atenderia o culto naquele dia. Dito e feito, ele subiu e começou a falar. Eu não entendia nada, pois a igreja havia se enchido e as pessoas que o seguiam glorificavam alto e aparentemente glorificavam a ele. Logo minha avó chegou e sentou-se ao nosso lado. Eu virei para ela e perguntei se ela conhecia aquele homem, ela disse que não. A situação estava estranha. Decidi ir ao banheiro. Saí e fui refletindo, foi então que a ficha caiu. Me lembrei do livro de apocalipse, parei em frente à janela e escutei o que o homem dizia. Ela se dizia Jesus. Me arrepiei. Tinham algo muito errado acontecendo. Fui depressa ao banheiro, enchi um copo com água e bebi o mais depressa possível. E comecei a pensar, se aquele homem, tinha cabelos grandes, se dizia Jesus, estava sendo seguido e adorado, mas meu coração não confiava nele. Só podia ser…

Uma borboleta repousava em minha pele marcada. Já fazia algum tempo, mas sequer percebi, e quando me dei conta fui abruptamente surpreendido com uma sensação áspera. A letargia incomodava ocasionalmente em situações assim. Segui minha rotina – Todos os dias intensamente iguais – Perdida nos mares, submergida numa constante apneia. Às vezes me perguntava: Como vim parar aqui? Mas, momentaneamente pensava no que li num recorte antigo de uma velha revista: “Minha alma gélida congelaria o inferno”. Refleti, e não encontrei significado, desconheço essas crenças, acredito no que me toca, por mais que eu raramente sinta, no que vejo, mesmo embaçado. Entretanto, tenho esperança, tenho dúvidas. Uma bipolaridade inerte numa mente nada criativa e muito confusa. Em meio ao caos e a fumaça era possível ignorar o cheiro de sangue e morte dando atenção às lindas árvores de cerejeira. Suas flores encobriam os roubos, assassinatos e horrores de uma cidade constantemente em evolução. “Viva a democracia, a Constituição, aos bons princípios. Viva a revolução. Viva a liberdade de expressão.”

Sexta, 14 Outubro 2016 09:14

Moça em Copacabana

Tento atravessar a rua, sob chuva forte; meu lado esquerdo está ensopado. Na calçada em frente, vejo passar uma jovem sem proteção alguma, sombrinha ou boné, colegial indo para a casa naquele fim de tarde. Separa-nos a enxurrada, porque os bueiros, sempre entupidos, vazam aos borbotões. Ela dá uma olhadela indiferente em minha direção e, quando constata minha idade, assume por inteiro a indiferença. Também confiro a sua e, embora meu olhar seja menos desinteressado, logo desisto.

Sexta, 14 Outubro 2016 08:58

A Oferenda

A duração da viagem mais curta do que aventura relatada na Ilíada não faz de Ulisses menos herói. Trinta e duas horas diretas de estradas ruins e piores desde a pequena Santa Rita, cidade perdida em plena vereda rosiana, até o Guarujá. A mulher, amassada no banco do passageiro agarra a filha pelo punho e toma o rumo que a irmã indicou para aliviar a bexiga irritada. Esqueceu-se de Aquiles, o anjo de chupeta dorme no banco de trás desde que anoiteceu. O sol já ilumina o céu, mas ainda não o mar. A praia está linda, toda enfeitada com velas acesas e flores brancas. Por conta do horário, nenhuma alma se apresenta. A cueca escura passa por roupa de banho, desnuda o pequeno, vão à praia, pintos no lixo, areia fofa, areia dura, corpos à milanesa, pássaros perseguidos alçando voos curtos, a sinfonia do oceano em maré menor, a espuma das ondas hipnotiza o pequeno e o grande.

Sexta, 14 Outubro 2016 08:40

Destino

O ar estava árido, as árvores mortas e a felicidade mergulhada em trevas. Era este o lugar onde um homem magro de cabelos escuros e vestindo um smoking preto se encontrava preso, lugar este que se assemelhava a um deserto porém ao invés de um sol escaldante havia cinzentas nuvens sobrevoando o céu, cinza este que se refletia no áspero solo daquele local. Em sua frente existia um estranho rio de onde águas obscuras surgiam carregando cadáveres em seu percurso. Por impulso, ou talvez por algo maior, suas pernas o levaram até a beira do rio.

Sexta, 14 Outubro 2016 07:41

A Trindade

Snórquia, um país da Terra Antiga, era conhecida como a Terra dos Mortos. Céus de fogo, chão de lavas de vulcões, nuvens de carvão, terra seca e sem vida, apenas paisagens mórbidas formavam o cenário daquele lugar. A região era amaldiçoada e toda doença que havia no mundo, repousava sobre todos os habitantes daquele inferno. O país era comandado pela mão “esquerda” e duríssima de Caos, um demônio nascido do carvão e de pântanos lamacentos. Ele morava em uma caverna no subterrâneo do seu palácio de ossos. Um rei que alimentava ódio de seus próprios companheiros e que já assassinara uma legião de vampiros e humanos em guerras sangrentas, tanto em Snórquia quanto em outros países que estavam em superfícies mais altas.

Página 3 de 7