Fantasia

Primeiro dia pós-férias. Você entra no seu trabalho como se caminhasse pelo solo lunar. Querem o teu sorriso. Querem tirar esse seu sorrisinho maroto do rosto. Ninguém exibe esse cartão de visitas da felicidade gratuitamente.

Sexta, 14 Outubro 2016 07:02

O Bosque dos Sonhos

Um sonho é uma fantasia que queremos vestir de realidade. O passado é um sonho que já se foi. Até sonhos de padaria não são mais os mesmos depois que um tempo passa. Como o bosque onde a Chapeuzinho Vermelho encontrou o Lobo Mau. O despertar da leitura é como um sonho – sonhá-lo lúdico porém vigoroso é o desafio que os mestres sonhadores apresentam a cada ano a novos deslumbrados.

Sexta, 14 Outubro 2016 06:52

O Abduzido

Manuel era um homem simples e pacato que morava no povoado de Nazaré, a alguns quilômetros da cidade de Araci, uma cidade a quatro horas de salvador, Bahia.

Sexta, 14 Outubro 2016 06:36

A lição de Zafhir

De tempos em tempos, os homens desciam das mais longínquas montanhas e se reuniam no platô da mais alta montanha da cordilheira.

Sexta, 14 Outubro 2016 06:24

Um bom domingo

O sol se divide entre os Cristos crucificados. Um, espichado num longo vitral, outro, numa enorme cruz, assustam o pequeno Claudio ao pé da mãe, concentrada na benção do Pastor.

Sexta, 14 Outubro 2016 06:15

A menina do ponto de ônibus

David não sabia o que ele mais gostava na garota sentada no ponto de ônibus. Se lhe perguntassem, ele poderia dizer que eram os cabelos, loiros e cacheados, que reluziam ao sol da manhã como fios de ouro. David podia sentir o perfume da vasta cabeleira da menina, mesmo não se sentando tão perto dela. Ela cheirava a morango.

Sexta, 14 Outubro 2016 05:44

Os Deuses Marginais

Como dizia um certo crocodilo: olá. Não se lembra de mim, meu querido? Do que fizemos ontem? O Entrudo, lembra? Eu sou Aquele que estava junto com o Maruxo, o deus dos marginais.

Sexta, 14 Outubro 2016 03:41

MATER - Os Olhos que Nunca Choravam

Salvador completaria vinte anos no dia de São Cosme e São Damião. Sua mãe, Dona Lucia, tinha nele, a grande bênção de sua vida. Apesar de oriunda de uma dinastia de mulheres parideiras, quadris largos, ela perdera dois bebês: o primeiro, falecido poucas semanas depois de nascer; o outro, com seis meses de vida. Sofrera o pão que o diabo amassou, a maior dor que pode existir, mas a chegada deste filho ungido, evitou que ela desistisse de viver. Engolia diariamente o pranto, pois nunca chorou na frente do menino, nem de ninguém. A ele, sempre quis demonstrar toda coragem, vestindo-se de mulher guerreira, mas era tão somente uma adolescente quando se casou e começou a iniciar sua família, junto a Damião - seu marido. Um homem trabalhador que conseguiu erguer casa boa, com a labuta nas plantações de algodão. E Lucia se dedicava integralmente ao filho, o acompanhando nas catequeses e lhe prestando total companheirismo. Salvador, menino dócil, temperamento suave, gostava de ajudar as pessoas. Fora batizado, crismado, fizera primeira comunhão, fora coroinha. E Lucia, regozijando-se por ser a detentora da graça de ter gerado um quase anjo, o salvador de sua existência. Todos os dias orava na capelinha do sítio, a agradecer por este filho, e acendia uma velinha para os outros- desencarnados. Mas seus olhos - na rudeza de alegrias parcas, pelas perdas doloridas e árduas - nunca choravam.

Oi.

O quê? Surpresa em me ver de pé? É, eu sei, também estou surpreso.

Sexta, 14 Outubro 2016 02:55

O punhal

A entrega

- Que porra é esta? - quis gritar Marco, mas o silêncio da sala era ensurdecedor. Resumiu o seu vernáculo à revolta interior que o trespassava; é incrível como podemos gritar herculeamente em absoluto silêncio. Sempre negara aquilo, e agora, mais uma vez, testava-se num misto de angústia e impotência.

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