Suspense
Quarta, 23 Novembro 2016 17:16

Só um Instante

Acordou tarde, deveria ter acordado uma hora atrás. Pensou;

Quarta, 26 Outubro 2016 20:07

A Substância da Vida

Amaldiçoada seja. Ele pensou.

E ela entrou pela sala. Afobada, nervosa, com os saltos das botas negras fazendo barulho no assoalho. Os seios ainda muito duros e róseos, camuflados sob a blusa de renda preta, emprestavam-lhe mais e mais juventude. Raivosa, neurótica, ruim de coração. Mas perfeita. Um sonho de se olhar e de se viciar de todo jeito. Pernas brancas como papel e duras como o gelo.

Sexta, 14 Outubro 2016 03:41

MATER - Os Olhos que Nunca Choravam

Salvador completaria vinte anos no dia de São Cosme e São Damião. Sua mãe, Dona Lucia, tinha nele, a grande bênção de sua vida. Apesar de oriunda de uma dinastia de mulheres parideiras, quadris largos, ela perdera dois bebês: o primeiro, falecido poucas semanas depois de nascer; o outro, com seis meses de vida. Sofrera o pão que o diabo amassou, a maior dor que pode existir, mas a chegada deste filho ungido, evitou que ela desistisse de viver. Engolia diariamente o pranto, pois nunca chorou na frente do menino, nem de ninguém. A ele, sempre quis demonstrar toda coragem, vestindo-se de mulher guerreira, mas era tão somente uma adolescente quando se casou e começou a iniciar sua família, junto a Damião - seu marido. Um homem trabalhador que conseguiu erguer casa boa, com a labuta nas plantações de algodão. E Lucia se dedicava integralmente ao filho, o acompanhando nas catequeses e lhe prestando total companheirismo. Salvador, menino dócil, temperamento suave, gostava de ajudar as pessoas. Fora batizado, crismado, fizera primeira comunhão, fora coroinha. E Lucia, regozijando-se por ser a detentora da graça de ter gerado um quase anjo, o salvador de sua existência. Todos os dias orava na capelinha do sítio, a agradecer por este filho, e acendia uma velinha para os outros- desencarnados. Mas seus olhos - na rudeza de alegrias parcas, pelas perdas doloridas e árduas - nunca choravam.

Quarta, 24 Agosto 2016 21:32

Planos

Ricardo, 37, é um músico que fez pouco sucesso, porém ainda ganha certo dinheiro, não é milionário, mas vive bem para seus padrões. Odeia crianças e volta e meia termina os seus relacionamentos por causa disso. Namora Renata há uns três anos, moram juntos. Ela inferniza sua vida, diz ela aceitar o fato dele não querer ter filhos, mas quer mandar em todos os aspectos de sua vida, dieta, gostos, como deve guardar dinheiro, o que ele deve ou não beber.

Sexta, 08 Julho 2016 12:22

Em nome do pai

Reginaldo era um rapaz alegre, de bem com a vida, trabalhava e gostava de sua profissão. Era preposto da Bolsa de Valores, naquele tempo que era aquela loucura, aquela gritaria, “comprado”, “vendido”...e ele precisava de fôlego...e fôlego era seu problema. A asma não lhe dava sossego. O jeito era apelar para a cortisona. E o fôlego aparecia.

Segunda, 04 Julho 2016 22:16

Botas

Sentei-me trêmula. Qualquer coisa escorria pelo meu rosto, mas eu não conseguia ver. Pensei estar cega. Não, não pode ser. É apenas um sonho ruim. Meu corpo era uma dor só! Mas tentava teimosamente entender. O que fazia eu ali, amarrada?

Quinta, 30 Junho 2016 13:12

Doce de Ambrosia

Escuta aqui, meu companheiro,
preciso contar uma história
de amor, desejo, ciúme e prazer
acontecida prá lá de Juazeiro...
Terça, 21 Junho 2016 22:42

Apatia nebulosa

Era só mais uma manhã nublada de junho, e isso não fazia diferença para um homem que se sentara no banco da pequena praça que ficava do outro lado da rua.

Sentei-me em um dos bancos e passei a observá-lo. Parecia ansioso. Acomodou as mãos sobre os joelhos e mordeu os lábios brutalmente. Agora parecia irritado.

Quinta, 16 Junho 2016 01:02

Sinais

Agora falta pouco, mas acho importante contar como aconteceu desde o início. No carnaval de 2008 iam fazer quase seis meses que eu não saia com ninguém, acredite essa informação é relevante, Carlos era um dos poucos que sabia, por isso me convidou para passar o feriado na casa dele em Itaipava. Iriam ele, sua mulher Gabi, um casal conhecido, Antonio e Mariana. E a Julia, “combina muito contigo” assegurou a Gabi, “pode ir que é gostosa” me confidenciou Carlos.

Quinta, 09 Junho 2016 10:32

Sinhazinha Juliana

-Maria Rosa, já preparou meu banho?

Ela não gostava que a chamassem assim...Queria ser chamada de Rosinha. Era mais íntimo, mais carinhoso... Era uma mulata, miúda, bonita e muito esperta. Aprendia tudo logo de primeira. Ela havia nascido em 1878, depois da Lei do Ventre Livre, não era escrava, mas para seus pais e dois irmãos nada havia mudado, permaneciam na casa onde já serviam desde o tempo do Coronel Ramiro, pai de Sinhá Ana. Havia muito respeito, muita amizade entre eles.

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