Terror
Sexta, 14 Outubro 2016 10:59

Sábado á Noite

Era uma noite de sexta-feira chuvosa, meus pais estavam preparando as malas para irem viajar. Eu iria passar o final de semana sozinho, porem eu já estava acostumado.

Sexta, 14 Outubro 2016 10:49

O Quadro da Vovó

Em 1996 vovó Damiana faleceu. Eu tinha apenas sete anos, mas aquela cena não sai da minha mente. Havia uma total ansiedade no velório da vovó, todos os parentes da família resolveram aparecer. Na sala; na cozinha; no quarto e até mesmo no banheiro tinham pessoas que pareciam chorosas. Eu tinha a impressão que a vovó não era o centro das atenções. Um sentimento esquisito dominava aquele lugar, murmúrios de que havia uma disputa nos itens de decoração da casa da vó Damiana.

Sexta, 14 Outubro 2016 10:34

Sombra Negra

Naquela manhã de sábado, Ana acordou cedo como de costume. Tomou o primeiro gole de café e respirou fundo, engasgou com o próprio ar. Tossiu muito, mas ainda tinha algo travado na garganta. Achou que o café tinha entrado torto, machucando suas cordas vocais. Era louca por café e logo no segundo gole o calor aliviou a irritação momentânea, assim que o líquido passou pela garganta. Não ousou dizer em voz alta, mas aquele café estava mais amargo que de costume. Na segunda xícara, colocou o dobro de açúcar, mas por trás do melado, algo ainda era intragável, negro, pétreo. Aquele sabor tinha um resíduo que ela não sabia dizer o que era.

Sexta, 14 Outubro 2016 10:17

Intimidade do Claustro

É manhã na abadia. O fraco sol de inverno, filtrado pelas gárgulas em fila no alto do edifício principal, joga sombras monstruosas no pátio. Um vento cortante chega do norte, fazendo tremer os abetos do bosque fronteiriço. Janelas e portas estão cerradas como pálpebras durante o sono, exceto uma portinhola baixa e estreita, a única que dá para o exterior do claustro. Sob a pequena cobertura abobadada que a protege de chuva e neve, uma outra sombra busca algum abrigo do frio. Walesa, a abadessa, ainda mais magra envolvida naquelas vestes negras de lã, tem os olhos fixos na curva da estrada, cerca de duzentos metros abaixo. Pousado na sebe à margem de todo o lado esquerdo da via, que dá para um precipício profundo e pedregoso, um corvo parece acompanhar a vigília da mulher.

Sexta, 14 Outubro 2016 09:50

Boa Noite Vizinhança

A velha senhora temia por sua vida. Não restava fôlego ou forças para resistir. Estava em sua própria casa... o perigo também.

Sexta, 14 Outubro 2016 09:41

No fim do Mundo

Tudo começou no dia do culto. Eu estava na fazenda da minha Avó e caminhava em direção a igreja acompanhada pela minha tia. A igreja não fica muito longe da casa, apenas alguns metros. Em um determinado momento avistamos próximo ao mata-burro¹ uma grande multidão, vinham caminhando lentamente e na frente das pessoas via-se um homem de cabelos grandes e que aparentemente era seguido pela multidão. Quando olhei aquilo perguntei a minha tia. Ela não soube dizer quem eram. Entramos, nos sentamos, fizemos a primeira oração. Então eles chegaram. O homem, o primeiro a entrar, caminhou pelo corredor até o púlpito², me perguntei se seria ele que atenderia o culto naquele dia. Dito e feito, ele subiu e começou a falar. Eu não entendia nada, pois a igreja havia se enchido e as pessoas que o seguiam glorificavam alto e aparentemente glorificavam a ele. Logo minha avó chegou e sentou-se ao nosso lado. Eu virei para ela e perguntei se ela conhecia aquele homem, ela disse que não. A situação estava estranha. Decidi ir ao banheiro. Saí e fui refletindo, foi então que a ficha caiu. Me lembrei do livro de apocalipse, parei em frente à janela e escutei o que o homem dizia. Ela se dizia Jesus. Me arrepiei. Tinham algo muito errado acontecendo. Fui depressa ao banheiro, enchi um copo com água e bebi o mais depressa possível. E comecei a pensar, se aquele homem, tinha cabelos grandes, se dizia Jesus, estava sendo seguido e adorado, mas meu coração não confiava nele. Só podia ser…

Sexta, 14 Outubro 2016 09:30

Os Visitantes

Eu não tinha medo do escuro. Não sou covarde. Não ria de mim. É, eu sempre durmo com as luzes acesas agora. Você também dormiria, também teria um monte de lanternas e luzes de emergência. Você não sabe o que eu passo.

Uma borboleta repousava em minha pele marcada. Já fazia algum tempo, mas sequer percebi, e quando me dei conta fui abruptamente surpreendido com uma sensação áspera. A letargia incomodava ocasionalmente em situações assim. Segui minha rotina – Todos os dias intensamente iguais – Perdida nos mares, submergida numa constante apneia. Às vezes me perguntava: Como vim parar aqui? Mas, momentaneamente pensava no que li num recorte antigo de uma velha revista: “Minha alma gélida congelaria o inferno”. Refleti, e não encontrei significado, desconheço essas crenças, acredito no que me toca, por mais que eu raramente sinta, no que vejo, mesmo embaçado. Entretanto, tenho esperança, tenho dúvidas. Uma bipolaridade inerte numa mente nada criativa e muito confusa. Em meio ao caos e a fumaça era possível ignorar o cheiro de sangue e morte dando atenção às lindas árvores de cerejeira. Suas flores encobriam os roubos, assassinatos e horrores de uma cidade constantemente em evolução. “Viva a democracia, a Constituição, aos bons princípios. Viva a revolução. Viva a liberdade de expressão.”

Sexta, 14 Outubro 2016 09:06

A Herança Maldita

Ganhar uma grande herança de um parente distante parece ser sempre um sonho para qualquer um, mas para Maria isso parece um pesadelo. Sua infância foi em terras distantes e agrícolas junto aos parentes, que eram muito bem de vida. Donos de grandes porções de terra e produtores agrícolas, a família Meddros era uma das mais abastadas da região. Não há quase motivos para uma família que é dona de muitas terras e farta grana no interior resolver mudar para uma cidade grande como fez Madalena, mãe de Maria, quando a filha ainda era uma criança. As lembranças de Maria sobre seu período no campo eram quase inexistentes. Poucas cenas da infância é o que restava na mente de Maria sobre aquele período, quase todas sobre plantas e edifícios agrícolas. Mesmo assim, Maria sentia medo em pensar de voltar para lá. Sua memória poderia falhar, mas seus instintos nunca a deixaram na mão.

Sexta, 14 Outubro 2016 08:48

Despertar

Ela acordou de súbito. Seus olhos perscrutaram a escuridão. Nada se destacava ali, além do som de sua respiração ofegante e o toque surdo de seu coração contra o peito. Ela permanecia imóvel. Uma fina camada de suor lhe subia as costas até a nuca, onde se fundiam com as mechas escuras do cabelo. Ela apurou os ouvidos, mas o local parecia isolado. Suas mãos tatearam o próprio corpo e ela se descobriu vestida, sem amarras, ou correntes.

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