Une Petite Putain

Une Petite Putain

Não sou nem louca de escrever em terceira pessoa. Escrevo putaria pra libertar a mim e aos outros também. Eternamente em busca de pequenos prazeres.
Idade: 20
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Sábado, 24 Setembro 2016 20:47

Sobre Memórias e Anatomia

Eu me lembro, é tão improvável mas eu me lembro da primeira vez que eu vi um pênis. Bem verdade, um pintinho recém-formado. Foi no jardim de infância. Uma escolinha pequena, um banheiro só. Eu entrei nele e tinha um menino mijando. Que coisa. Fiquei parada. Observei, tentei entender a situação, não sei quanto tempo se passou, eu estava imóvel, até que uma professora me tirou de lá, talvez fosse inapropriado. Mas eu não tinha culpa, eu estava confusa: antes desse momento eu nunca sequer havia pensado sobre como os homens ou meninos faziam xixi, até porque eu raramente exercia algum convívio com qualquer espécie de macho que fosse. Nem mesmo um cachorro. É bom explicar que eu não tive pai, nem padrasto, vô morto antes d’eu nascer, tio distante, nenhum irmão. Portanto nesse dia tão-claro tão-distante na minha cabeça, da maneira mais orgânica possível, eu entendi porquê havia outro gênero e porquê os pertencentes a ele eram diferentes de mim. Vivi minha vida inteira numa casa de fêmeas puras, onde o assento da privada jamais era levantado. Sempre pelada, sempre chamando de “perereca”, sempre ignorante ao que não fosse próximo das tetas de minha mãe.

Terça, 13 Setembro 2016 23:33

Recomeço

Fiquei sem saber porquê assim, do nada, veio uma angústia forte subindo no peito como uma ânsia de vômito sobe na garganta. Não tinha razão de ser, eu nem tinha história pra contar. Não tinha satisfação pra dar. Simples assim, nada na cabeça, o disco rodando devagar, acho que essa vitrola não aguenta mais, o cabelo ainda pingando, não tem cerveja nenhuma, amanhã é segunda. Preferi deixar a TV desligada. Já terminei meu livro. Cumpri meus afazeres de hoje. Não comi coisa gordurosa, não fiquei preocupada, não tem motivo pra vir essa coisa estranha amarga na boca. Li coisas antigas de tarde. Tudo imprestável, malconduzido, vago. E cá estou eu, fazendo a mesma coisa.

Quinta, 01 Setembro 2016 12:03

Cansados

Era um colchão tão velho tão fino que eu sentia cada tábua do estrado nas espáduas. Hesitei em fazer movimentos bruscos, só virei de lado. Meu braço esquerdo envolvia seu ombro, a tênue luminosidade da rua me permitia enxergar seu longo pescoço. Novo parâmetro: o tamanho do pescoço é proporcional ao pau. Estava silenciosamente feliz e me bastava.

Domingo, 21 Agosto 2016 14:08

Dois Zés

Essa coisa de estudar muito é um perigo; a gente fica alienado demais. Passei a semana lendo demais, encucando demais, e escrevendo de menos. Sexo então, zero. Problemático. Daí sobra espaço pras pirações sem âncora nas longas viagens de ônibus até o campus, ouvindo cada dia uma coisa diferente e lembrando cada dia de uma pessoa diferente. Música tem disso. Quando ouço algumas especiais, parece que um carteiro correu até mim e botou no meu colo uma garrafinha não só com o som, mas o cheiro, a cor, o calor, a textura e o retrato de quem me lembra.

Sábado, 13 Agosto 2016 00:07

O Sofá

Já não nos chamamos mais uns aos outros de amantes, é uma pena. Não no sentido adúltero, embora aconteça, mas no sentido “temos fodido gostoso”. Nessas condições, tive muitos amantes e desejo ter muito mais. Amante parece ser uma palavra já perdida no século XX, mas no meu coração-cabeça-buceta ainda persiste. Amante é quem me comeu variadas vezes, de variadas formas, me fez feliz e deixou, de uma forma ou de outra, saudades.

Sexta, 05 Agosto 2016 14:46

A Gota

Tem uma gota de porra escorrendo bem no meio da minha testa e quer saber, vou deixar ela ali, rolando calmamente descendo a curva do meu nariz até pingar no topo do meu lábio, aí vou capturá-la com a ponta da minha língua. Vou deixar ela dissolver na minha boca espalhando o gosto amargo dessa vez, porque eu sempre engulo tudo correndo como um remédio; mas sei que cada homem tem seu próprio gosto armazenado nas bolas, que deve ser apreciado, memorizado, teorizado.

Quinta, 04 Agosto 2016 12:34

Tarde Livre

O cinto atado imobilizava as minhas mãos. Eu tentava guardar o sorriso de felicidade dentro dos olhos.

Sexta, 22 Julho 2016 13:57

Outros Braços

Por mais que estive parada há vários minutos, impossível que a cerveja estivesse morna. Fazia 10 graus e os sinos da igreja badalavam tentando me acordar do meu transe. Eram, portanto, seis horas. É difícil tomar cerveja no frio, as mãos gelam, mas fazia tanto tempo que me baseava em vinho que só de sentir o cheiro ao aproximar o copo da boca já senti saudade. Depois de alguns anos a gente perde a delicadeza de esperar a pessoa chegar para começar a beber. O máximo que espero é a tristeza.

Terça, 19 Julho 2016 12:28

Putinho

Mandei ele ajoelhar e lamber cada pelinho da minha virilha. “Não pode chupar”, eu disse, segurando os cabelos dele, que lambia pentelhos e se masturbava como se estivesse em devoção à sua deusa. Quando
Sexta, 15 Julho 2016 14:02

Pintinhos

Lá estava eu, fumando um cigarro embaixo da marquise e pensando como seria minha vida se fosse lésbica, se seria igualmente ninfomaníaca e me submeteria às mais diversas indiadas em busca de outra buceta pra tesourar com a minha. Do céu, deus jogava baldes d’água e brincava de sacudir as árvores e entortar
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